O artigo de Deng e colaboradores (2026), publicado na revista Molecular Biology – Science, debateu a respeito do dogma central da biologia, que é repassado há décadas como regra para síntese de DNA.
Pesquisadores da Universidade Stanford desvendaram o funcionamento do sistema imunológico bacteriano DRT3 e identificaram uma enzima que consegue construir fitas de DNA geneticamente ordenadas sem utilizar nenhum molde de ácido nucleico (seja DNA ou RNA) externo, guiando-se unicamente por sua própria estrutura física. Esse achado desafia diretamente o dogma central da biologia molecular sobre o fluxo unidirecional e dependente da informação genética.
O estudo, conduzido por meio de ensaios bioquímicos e criomicroscopia eletrônica de alta resolução na bactéria Escherichia coli, demonstrou que o sistema de defesa antiviral DRT3 opera através da cooperação de duas transcriptases reversas distintas e um segmento de RNA não codificante. Enquanto a primeira proteína, a Drt3a, atua de forma convencional copiando o molde de RNA para sintetizar uma fita simples de DNA, a grande diferença se encontra na enzima Drt3b.

A enzima Drt3b atua de forma autônoma e utiliza seus próprios aminoácidos e a geometria de seu sítio ativo como um guia interno para alinhar e sintetizar uma fita complementar com alternância de bases nitrogenadas, gerando um produto de DNA fita dupla repetitivo. Esse sistema confere resistência da bactéria contra os bacteriófagos, onde a ativação desse complexo bloqueia a replicação viral. A descoberta abre portas para biologia sintética e desenvolvimento de novos biomateriais baseados em sequências repetitivas de DNA, demonstrando que o dogma central não é tão linear quanto se acreditava.