Programa de Pós-graduação em Biotecnologia e Biociências – UFSC

Avaliação do Potencial Biotecnológico de Cladophialophora mycetomatis para a Adsorção de Metais Pesados

A contaminação ambiental por metais pesados constitui um desafio crescente para o qual os métodos físico-químicos convencionais oferecem resposta limitada, especialmente em cenários de contaminação difusa e baixas concentrações residuais. Fungos melanizados da ordem Chaetothyriales têm despertado interesse científico por sua tolerância a condições não usuais e pela afinidade de sua melanina a íons metálicos, características que os posicionam como candidatos relevantes para a biorremediação. Este estudo avalia a tolerância de Cladophialophora mycetomatis CMRP 1205 a cobre, cromo, zinco e manganês e sua capacidade de remoção de cobre em meio líquido. As condições fisiológicas ótimas de cultivo foram determinadas por ensaios de crescimento radial em diferentes valores de pH e temperaturas. A tolerância metálica foi avaliada por concentração inibitória mínima em meio líquido e sólido. A biossorção de cobre foi investigada com biomassa livre, biomassa imobilizada em esferas de alginato contendo extrato de epicarpo de babaçu (Orbignya phalerata) e melanina purificada. O isolado demonstrou tolerância metal-específica, com perfis distintos entre os sistemas de cultivo líquido e sólido. O cromo foi o metal mais tolerado (500 mg L⁻¹ em meio líquido), enquanto o níquel exerceu efeito completamente inibitório em todas as condições testadas. O cobre, foco central das análises de biossorção, apresentou tolerância intermediária (250 mg L⁻¹) e induziu alterações morfológicas como redução e irregularidade do crescimento colonial e modificações estruturais das hifas, entre outras respostas fenotípicas observadas. A biossorção com biomassa livre resultou em remoções modestas (6,38%), esperadas para condições não otimizadas. A imobilização da biomassa em esferas de alginato com extrato de babaçu elevou a remoção de cobre para 95,1 ± 0,1%, valor superior ao obtido com melanina purificada (62,8 ± 0,7%), evidenciando que a capacidade de biossorção não é atribuível exclusivamente a esse polímero, e que a integridade da biomassa é determinante para o desempenho do processo. Os resultados obtidos estabelecem C. mycetomatis CMRP 1205 como um isolado fisiologicamente versátil e metal-tolerante, cuja capacidade de remoção de cobre documentada fundamenta sua qualificação preliminar como candidato para aplicações em biorremediação.