Interações entre microalgas e bactérias na remoção de carbono dissolvido e nutrientes inorgânicos de efluentes domésticos

Programa de Pós-graduação em Biotecnologia e Biociências - UFSC

O acesso ao saneamento e ao tratamento de esgoto é fundamental para a sustentabilidade hídrica, contudo, os modelos convencionais ainda predominam sob abordagens lineares de uso dos recursos. Em contrapartida, processos baseados no tratamento com microalgas avançam em direção a perspectivas integradoras e holísticas, que valorizam os ciclos biológicos naturais. Em vista disso, foi avaliada a viabilidade da espécie Tetradesmus obliquus, em condições axênicas, no tratamento de esgoto doméstico primário, bem como sua eficácia como meio nutritivo para cultivo. Foram estabelecidos três tratamentos experimentais em reatores de bancada (volume útil de 2000 mL), preenchidos com esgoto doméstico filtrado e esterilizado (EDFE), considerando a presença ou ausência de microalgas e bactérias, além de um controle em meio de cultura BBM. O desempenho dos cultivos com microalgas foi avaliado a partir da biomassa produzida, clorofila-a extraída e eficiência na remoção de nutrientes. O comportamento fisiológico de T. obliquus foi similar entre os tratamentos com esgoto e o meio padrão. O tratamento consorciado (algas e bactérias), inclusive, registrou valores de produtividade superiores (0,067 ± 0,01 g·L⁻¹·dia⁻¹) ao controle. A remoção de P–PO₄³⁻ e NID neste mesmo tratamento destacou-se por atingir 97,17 ±3,24% (valores iniciais de 12,85±0,01 mg/L e finais de 0,33 ± 0,16 mg/L) e 97,72 ± 1,02% (valores iniciais de 40,31 ± 1,15 mg/L e finais de 0,92 ± 0,41 mg/L), respectivamente. Quanto ao carbono dissolvido, houve eficiência de remoção equivalente entre os tratamentos contendo bactérias. Os resultados sugerem interações positivas entre esses microrganismos e a efetividade no tratamento do efluente.