IMPACTO DA EXPOSIÇÃO GESTACIONAL AO ÁCIDO VALPROICO SOBRE ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS EM UM MODELO EXPERIMENTAL DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA INDUSTRIAL – PPGBIOTEC-UP

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por prejuízos na interação social e pela presença de padrões restritos e repetitivos. Entre os modelos pré-clínicos utilizados para investigar essas manifestações, destaca-se a exposição gestacional ao ácido valproico, capaz de induzir alterações semelhantes às observadas no transtorno. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da exposição gestacional ao ácido valproico sobre parâmetros de sociabilidade e estereotipia em ratos Wistar, nos períodos pós-natais de 30 (P30) e 60 (P60) dias. Para isso, fêmeas prenhes receberam ácido valproico por meio de protocolo fracionado no período gestacional, enquanto o grupo controle recebeu solução salina nas mesmas condições. A prole foi avaliada aos 30 e 60 dias de idade por meio do Three-Chamber Social Test, utilizado para análise da sociabilidade, e do Marble Burying Test, empregado para avaliação de comportamentos repetitivos/perseverativos. Os dados foram expressos como média ± desvio-padrão, adotando-se nível de significância de 5%. Os resultados demonstraram que, em P30, os animais expostos ao ácido valproico apresentaram alteração no padrão de permanência entre os compartimentos do teste social, com menor tempo no setor contendo o animal estímulo em comparação ao grupo controle. No Marble Burying Test, o grupo ácido valproico apresentou maior número de esferas enterradas e menor número de esferas não enterradas em P30, indicando aumento do comportamento de enterramento. Em P60, observou-se modificação do perfil comportamental, com redução de algumas diferenças entre os grupos, especialmente no teste de enterramento, no qual ambos apresentaram elevado número de esferas enterradas. Esses achados sugerem que as alterações comportamentais induzidas pela exposição gestacional ao ácido valproico podem variar ao longo do desenvolvimento pós-natal, possivelmente influenciada por processos de maturação neurocomportamental. Conclui-se que o protocolo utilizado foi capaz de induzir alterações compatíveis com o modelo experimental, principalmente em P30, reforçando sua aplicabilidade para estudos sobre alterações sociais e repetitivas associadas ao neurodesenvolvimento.