A crescente resistência de plantas daninhas a herbicidas sintéticos, aliada aos impactos ambientais associados ao uso desses herbicidas, tem impulsionado a busca por alternativas sustentáveis, como o emprego de compostos fenólicos de fruteiras nativas com potencial bioherbicida. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar o potencial alelopático de extratos foliares de fruteiras nativas brasileiras e relacionar seus efeitos à presença de compostos fenólicos bioativos. O experimento foi conduzido no Laboratório de Fisiologia Vegetal da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Dois Vizinhos, em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 20 × 3, envolvendo sementes de cultivares comerciais e de plantas daninhas submetidas a diferentes extratos de fruteiras nativas e três técnicas de extração, com quatro repetições de 100 sementes por unidade experimental. Foram utilizados materiais vegetais de jabuticabeira híbrida, jabuticabeira açú, jabuticabeira de cabinho, ingazeiro, pitangueira, araçazeiro amarelo e vermelho, guabirobeira, guabijuzeiro, uvaieira, sete capoteiro, guaçatongueira, cabeludinha, cerejeira da mata, bacuparizeiro, limoeiro do mato, vacunzeiro, pessegueiro do mato e jamboleiro. As técnicas de extração consistiram em maceração, infusão e hidroalcoólica. Foram avaliados a germinação (%), o índice de velocidade de germinação (IVG) e o tempo médio de germinação (TMG) em sementes de alface, milho, soja e em espécies invasoras, tais como guanxuma, braquiária, picão-preto e azevém. Também foi realizada a caracterização dos compostos fenólicos por cromatografia líquida de alta eficiência. A extração hidroalcoólica destacou-se como a mais eficiente, promovendo maior supressão germinativa e, em alguns casos, inibição total, especialmente em alface e soja. Entre as espécies avaliadas, limoeiro do mato, pessegueiro do mato e bacuparizeiro apresentaram maior atividade fitotóxica. Nas espécies invasoras, a guanxuma demonstrou maior sensibilidade, com germinação inferior a 9% na maioria dos tratamentos. A análise química revelou a predominância de ácidos fenólicos, como o ácido cinâmico e o ácido cafeico, compostos associados à atividade alelopática. Conclui-se que os extratos foliares de fruteiras nativas apresentam elevado potencial para uso como bioherbicidas naturais, especialmente quando obtidos por extração hidroalcoólica, estando sua eficácia relacionada à composição e à diversidade de compostos fenólicos presentes.
Compostos fenólicos de fruteiras nativas: caracterização e potencial para desenvolvimento de bioherbicidas pré-emergentes
Programa de Pós-graduação em Biotecnologia - UTFPR