Dois estudos publicados simultaneamente na revista Science, em 17 de setembro, descreveram um sistema guiado por RNA que surgiu nos próprios vírus e parece ser o precursor do CRISPR. Batizado de VIPR (Viral Interference Programmable Repeat), o sistema foi identificado pela equipe de Jennifer Doudna, no Innovative Genomics Institute da Universidade da Califórnia em Berkeley, a partir da triagem computacional de cerca de 2,3 milhões de estruturas proteicas.

O CRISPR foi descrito anteriormente como o sistema imune das bactérias contra vírus, porém os dados agora sugerem que as bactérias que utilizam essa ferramenta viral, usada originalmente por bacteriófagos, e a converteram em defesa própria. Os sistemas VIPR foram encontrados em 664 genomas virais e celulares, sempre em loci mínimos, com apenas dois genes codificantes.

O mecanismo também é inédito. Em todos os sistemas guiados por RNA conhecidos até hoje, a especificidade depende de pareamento contínuo de bases entre o guia e o alvo. O VIPR, por sua vez, usa um código não contínuo, onde o vrRNA alterna e pareia apenas a cada dois nucleotídeos, pulando o terceiro.
O núcleo funcional do VIPR opera com uma proteína de menos de 200 aminoácidos (cerca de um quarto do tamanho da Cas9) e um RNA-guia com menos de 100 nucleotídeos. Isso atinge diretamente o gargalo de entrega das terapias gênicas, em que o tamanho do editor limita o uso de vetores virais e nanopartículas lipídicas. A Universidade da Califórnia já depositou pedido de patente sobre a plataforma, descrita pelos autores como o sistema programável de reconhecimento de DNA mais simples conhecido até agora.