A pesquisa de Wen e colaboradores (2026), publicada na revista Nature, demonstrou uma plataforma de entrega direcionada de fármacos que promete transformar o desenvolvimento de conjugados terapêuticos.
As tecnologias convencionais dependem da endocitose mediada por receptores para liberar sua carga citotóxica no interior da célula, o que limita o uso de terapias a apenas 10% dos alvos da membrana celular. Para contornar essa barreira, os pesquisadores da Universidade de Pequim desenvolveram a estratégia Binding-to-Release (BTR). Em vez de depender do transporte lisossomal, a nova tecnologia utiliza a ligação direta ao receptor para desencadear uma reação química de clivagem induzida por proximidade, liberando a droga no microambiente tumoral de forma independente da internalização celular.

A precisão biodistributiva traduziu-se em um aumento de 7,5 vezes na dose máxima tolerada em modelos animais e levou à regressão tumoral quase completa em diversos modelos de sarcomas e carcinomas pancreáticos.
Além disso, os autores expandiram a estratégia BTR para o alvo de relevância clínica PD-L1 e para peptídeos cíclicos descobertos por mRNA display, demonstrando a versatilidade da química PhoPEx (reação de troca fósforo(V)-fenol). Os achados da pesquisa contribuem para a nova geração de diagnósticos e oncoterápicos de precisão.