BRASIL AVANÇA NA EDIÇÃO GÊNICA DE MICRORGANISMOS PARA PRODUÇÃO DE BIOINSUMOS

Pesquisadores brasileiros estão usando edição gênica para tornar mais eficientes as bactérias que fornecem nitrogênio às lavouras. Os resultados foram apresentados em 2 de setembro, durante o evento virtual “P&D em debate”, promovido pelo Comitê Gestor do Portfólio Biorrevolução, da Embrapa, que reuniu mais de 430 participantes. O dado que mais chama atenção veio do pesquisador Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja e membro da CTNBio: hoje mais de 50% das submissões de edição gênica encaminhadas à comissão envolvem microrganismos.

Uma das frentes aplica edição gênica em bactérias diazotróficas associadas a gramíneas. Segundo o pesquisador Jean Araújo, da Embrapa Agrobiologia (RJ), os trabalhos buscam modificar a forma como essas bactérias fixam e assimilam nitrogênio, de modo que uma parcela maior do nutriente fique disponível à planta. Na Embrapa, a tecnologia também já é empregada em plantas, animais e peixes, incluindo linhagens de soja mais tolerantes ao déficit hídrico.

O peso econômico da agenda é direto: o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, e a substituição de parte da adubação nitrogenada por bioinsumos mais eficientes toca a competitividade de toda a cadeia. Além disso, a área tratada com bioinsumos no país chegou a 46 milhões de hectares no primeiro semestre de 2026, alta de 18,3% sobre o mesmo período de 2025.

Um fator decisivo para esse avanço é regulatório. Desde 2018, a Resolução Normativa nº 16 da CTNBio estabelece critérios para avaliação de produtos obtidos por Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMP), entre elas a edição gênica. Produtos enquadrados como convencionais pela comissão têm custos regulatórios significativamente menores que os de um OGM clássico, vantagem para startups e empresas de médio porte do setor de bioinsumos, ainda que os desafios de escalonamento e chegada ao mercado permaneçam.